A Eugênia Câmara

written by Antonio de Castro Alves

A Eugênia Câmara

— Antonio de Castro Alves

Ainda uma vez tu brilhas sobre o palco,
Ainda uma vez eu venho te saudar...
Também o povo vem rolando aplausos
í€s tuas plantas mil troféus lançar...


Após a noite, que passou sombria,
A estrela-d'alva pelo céu rasgou...
Errante estrela, se lutaste um dia,
Vê como o povo o teu sofrer pagou...


Lutar!... que importa, se afinal venceste?
Chorar!... que importa, se afinal sorris?
A tempestade se não rompe a estátua
Lava-lhe os pés e a triunfal cerviz.


Ouves o aplauso deste povo imenso,
Lava, que irrompe do pop'lar vulcão?
í‰ o bronze rubro, que ao fundir dos bustos
Referve ardente do porvir na mão.


O povo o povo
Maldiz as trevas, abençoa a luz
Sentiu teu gênio e rebramiu soberbo:
â€" P'ra ti altares, não do poste a cruz.


Que queres? Ouve! â€" são mil palmas férvidas,
Olha! â€" é o delí­rio, que prorrompe audaz.
Pisa! â€" são flores, que tu tens í s plantas,
Toca no fronte â€" coroada estás.


Descansa, pois, como o condor nos Andes,
Pairando altivo sobre terra e mar,
Pousa nas nuvens p'ra arrogante em breve
Distante ... longe ... mais além voar.

About the poet


Antonio de Castro Alves

Antônio Frederico de Castro Alves was a Brazilian poet and playwright, famous for his abolitionist and republican poems. One of the most famous poets of the "Condorism", he won the epithet of "O Poeta dos Escravos" ("Slaves' Poet"). He is the patron of the 7th chair of the Brazilian Academy of Letters. Alves was born in the town of Curralinho (rechristened "Castro Alves" in his honor in 1900), in the Brazilian State of Bahia, to Antônio José Alves, a medician, and Clélia Brasília da Silva Castro, one of the daughters of José Antônio da Silva Castro (a.k.a. "Periquitão", Portuguese for "Big Parakeet"), a proeminent fighter in the 1821–23 Siege of Salvador. In 1853, he was...

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