A Mãe Do Cativo

written by Antonio de Castro Alves

A Mãe Do Cativo

— Antonio de Castro Alves

Le Christ í Nazareth, atix jours de son enfance
Jouait avec Ia croix, symbole de sa mort;
Mí¨re du Polonais! qu'il apprene d'avance
A combattre et braver les outrages du Sort.

Qu'il couve dans son sein sa colí¨re et sa joie
Qu'il ses discours prudents distillent le venin,
Comme un aime obscur que son coeur se reploie
í€ terre, í deux genoux, qu'il rampe comme un nain

(Mickiewicz - A Mãe Polaca)


í" mãe do cativo! que alegre balanças
A rede que ataste nos galhos da selva!
Melhor tu farias se í pobre criança
Cavasses a cova por baixo da relva.


í" mãe do cativo! que fias í noite
As roupas do filho na choça da palha!
Melhor tu farias se ao pobre pequeno
Tecesses o pano da branca mortalha.


Misérrima! E ensinas ao triste menino
Que existem virtudes e crimes no mundo
E ensinas ao filho que seja brioso,
Que evite dos ví­cios o abismo profundo ...


E louca, sacodes nesta alma, inda em trevas,
O raio da espr'ança... Cruel ironia!
E ao pássaro mandas voar no infinito,
Enquanto que o prende cadeia sombria! ...



II


í" Mãe! não despertes est'alma que dorme,
Com o verbo sublime do Mártir da Cruz!
O pobre que rola no abismo sem termo
Pra qu'há de sondá-lo... Que morra sem luz.


Não vês no futuro seu negro fadário,
í" cega divina que cegas de amor?!
Ensina a teu filho - desonra, misérias,
A vida nos crimes - a morte na dor.


Que seja covarde... que marche encurvado...
Que de homem se torne sombrio reptí­l.
Nem core de pejo, nem trema de raiva
Se a face lhe cortam com o látego vil.


Arranca-o do leito... seu corpo habitue-se
Ao frio das noites, aos raios do sol.
Na vida - só cabe-lhe a tanga rasgada!
Na morte - só cabe-lhe o roto lençol.


Ensina-o que morda... mas pérfido oculte-se
Bem como a serpente por baixo da chã
Que impávido veja seus pais desonrados,
Que veja sorrindo mancharem-lhe a irmã.


Ensina-lhe as dores de um fero trabalho...
Trabalho que pagam com pútrido pão.
Depois que os amigos açoite no tronco...
Depois que adormeça co'o sono de um cão.


Criança - não trema dos transes de um mártir!
Mancebo - não sonhe delí­rios de amor!
Marido - que a esposa conduza sorrindo
Ao leito devasso do próprio senhor! ...


São estes os cantos que deves na terra
Ao mí­sero escravo somente ensinar.
í" Mãe que balanças a rede selvagem
Que ataste nos troncos do vasto palmar.



III


í" Mãe do cativo, que fias í noite
í€ luz da candeia na choça de palha!
Embala teu filho com essas cantigas...
Ou tece-lhe o pano da branca mortalha.

About the poet


Antonio de Castro Alves

Antônio Frederico de Castro Alves was a Brazilian poet and playwright, famous for his abolitionist and republican poems. One of the most famous poets of the "Condorism", he won the epithet of "O Poeta dos Escravos" ("Slaves' Poet"). He is the patron of the 7th chair of the Brazilian Academy of Letters. Alves was born in the town of Curralinho (rechristened "Castro Alves" in his honor in 1900), in the Brazilian State of Bahia, to Antônio José Alves, a medician, and Clélia Brasília da Silva Castro, one of the daughters of José Antônio da Silva Castro (a.k.a. "Periquitão", Portuguese for "Big Parakeet"), a proeminent fighter in the 1821–23 Siege of Salvador. In 1853, he was...

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