Boa Noite

written by Antonio de Castro Alves

Boa Noite

— Antonio de Castro Alves

Veux-tu donc partir? Le jour est encore éloigné:
C'était le rossignol et non pas l'alouette,
Dont le chant a frappé ton oreí­lle inquií¨te;
Il chante Ia nuit sur les branches de ce granadier
Crois-moi, cher ami, c'était le rossignol.

Shakespeare


Boa noite, Maria! Eu vou,me embora.
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa noite, Maria! í‰ tarde... é tarde. .
Não me apertes assim contra teu seio.


Boa noite! ... E tu dizes - Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos...
Mas não mo digas descobrindo o peito,
â€" Mar de amor onde vagam meus desejos!


Julieta do céu! Ouve... a calhandra
já rumoreja o canto da matina.
Tu dizes que eu menti? ... pois foi mentira...
Quem cantou foi teu hálito, divina!


Se a estrela-d'alva os derradeiros raios
Derrama nos jardins do Capuleto,
Eu direi, me esquecendo d'alvorada:
'í‰ noite ainda em teu cabelo preto...'


í‰ noite ainda! Brilha na cambraia
â€" Desmanchado o roupão, a espádua nua
O globo de teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua. . .


í‰ noite, pois! Durmamos, Julieta!
Recende a alcova ao trescalar das flores.
Fechemos sobre nós estas cortinas...
â€" São as asas do arcanjo dos amores.


A frouxa luz da alabastrina lí¢mpada
Lambe voluptuosa os teus contornos...
Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos
Ao doudo afago de meus lábios mornos.


Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!


Ai! Canta a cavatina do delí­rio,
Ri, suspira, soluça, anseia e chora. . .
Marion! Marion!... í‰ noite ainda.
Que importa os raios de uma nova aurora?!...


Como um negro e sombrio firmamento,
Sobre mim desenrola teu cabelo...
E deixa-me dormir balbuciando:
â€" Boa noite! â€" formosa Consuelo.

About the poet


Antonio de Castro Alves

Antônio Frederico de Castro Alves was a Brazilian poet and playwright, famous for his abolitionist and republican poems. One of the most famous poets of the "Condorism", he won the epithet of "O Poeta dos Escravos" ("Slaves' Poet"). He is the patron of the 7th chair of the Brazilian Academy of Letters. Alves was born in the town of Curralinho (rechristened "Castro Alves" in his honor in 1900), in the Brazilian State of Bahia, to Antônio José Alves, a medician, and Clélia Brasília da Silva Castro, one of the daughters of José Antônio da Silva Castro (a.k.a. "Periquitão", Portuguese for "Big Parakeet"), a proeminent fighter in the 1821–23 Siege of Salvador. In 1853, he was...

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